Entenda como funciona e aprenda a otimizar o giro de estoque do seu empreendimento

Gerir adequadamente o giro de estoque é importante não só para a produção, mas também para toda a empresa. Afinal, áreas como a comercial e a financeira também contam com processos e resultados atrelados ao correto controle dos produtos armazenados no empreendimento.

Sem um gerenciamento consistente das entradas e saídas de mercadorias, existem chances de o negócio ter prejuízos com quebras, extravios, itens vencidos e outros fatores que podem gerar dificuldades financeiras. Para evitar que isso ocorra na sua organização, separamos 5 dicas para você fazer um giro de estoque corretamente. Confira!

O que é giro de estoque?

Consiste em um indicador que demonstra a velocidade de renovação dos produtos armazenados na companhia em um período específico. Ele também possibilita descobrir qual é o tempo médio de permanência de uma mercadoria ou lote no inventário antes que ocorra a comercialização.

Esse instrumento é um dos mais usados para medir e analisar a gestão de inventário, podendo ser avaliado com base em distintos intervalos de tempo (por mês, ano ou semana, por exemplo). Como é aplicável a qualquer tipo de empresa, porte ou variedade de produtos, ele se torna útil para equilibrar o ritmo de compra de insumos e de produção com a frequência das vendas.

Em suma, o giro de estoque é uma ferramenta responsável pela análise e demonstração da saúde econômica do almoxarifado, fornecendo dados para a tomada de decisão dos gestores. Ele permite observar a situação atual dos recursos da empresa e, a partir disso, facilita a identificação de quais itens são melhores para se vender e quais ficam parados por mais tempo, gerando custos.

Como calcular o giro de estoque?

Calcular o giro de estoque é uma boa forma de verificar se o inventário está estagnado na organização ou se conta com boa rotatividade. Isso possibilita direcionar esforços e investimentos caso os materiais armazenados estejam parados por muito tempo.

A fórmula desse cálculo envolve a quantidade comercializada em um período específico em relação ao total de objetos estocados. Dessa forma, a primeira coisa a se fazer é estipular o período de análise ― normalmente, utiliza-se um ano. No entanto, produtos perecíveis ou de rápida obsolescência podem ser avaliados em tempos menores.

Depois disso, você precisa descobrir o total de produtos vendidos nesse período. Por fim, levante o volume médio de itens presente no inventário no mesmo intervalo de tempo. Com base nessas informações, é possível aplicar a seguinte fórmula:

  • giro de estoque = quantidade de vendas de mercadorias / volume médio armazenado.

Por exemplo, se uma empresa comercializa 5 mil itens por ano e mantém um estoque médio no período de 500 objetos, o resultado será 10 (5.000/500). Isso significa que, durante um ano, seus produtos são renovados dez vezes.

Com esses dados, ainda é possível descobrir o tempo médio (TM) que os itens permaneceram em estoque. Isso pode ser feito pela seguinte fórmula:

  • TM = número de dias do período (no caso, um ano) / número de “giros”.

O resultado para nosso exemplo será de 36,5 dias (365 dias / 10). Isso quer dizer que a empresa teve uma rotatividade média de estoque de 10 vezes ao ano, de modo que cada um desses giros ocorreu, aproximadamente, a cada 36,5 dias.

Contudo, grande parte dos negócios trabalha com produtos de diferentes preços, tamanhos e características. Nessas situações, podemos fazer o cálculo do giro de estoque de outros modos ― ao empregar o custo de aquisição ou valor médio dos itens armazenados em vez do número de produtos estocados, por exemplo. Também substituímos a quantidade de mercadorias comercializadas pelo valor financeiro gerado pelas vendas.

Por exemplo, se uma empresa tem um inventário médio de R$ 20 mil (a preço de compra) e sua quantidade de vendas anuais chegue a R$ 50 mil, a conta ficará assim:

  • giro de estoque = R$ 50.000 / R$ 20.000
  • giro de estoque = 2,5 vezes em um ano.

É importante frisar que, nessas contas, se o resultado for inferior a 1, quer dizer que há produtos que não estão girando dentro desses 365 dias, ou seja, estão parados.

Como o giro de estoque afeta a empresa?

A má administração do estoque pode render prejuízos para o negócio, especialmente se ele trabalha com produtos que precisam de rápida comercialização (perecíveis ou tornam-se obsoletos em pouco tempo).

Um giro de estoque baixo significa que mercadorias estão paradas há mais tempo. Se não houver controle e processo que priorizem a saída de itens com prazos de validade mais próximos, o negócio poderá ter grandes prejuízos com itens estragados.

Caso a demora na rotatividade persista, as perdas financeiras serão maiores. Por exemplo, o setor de vestuário e moda precisa vender coleções e roupas específicas para cada estação. Se o giro for lento, uma indústria desse segmento acabará com estoques cheios de roupas de estações passadas. Normalmente, há dificuldades para comercializá-las visando abrir espaço para os modelos da estação vigente.

Além disso, estoques geram custos com conservação, armazenamento e limpeza. Quanto mais tempo os produtos ficarem parados, mais os gastos com os itens apontados tendem a aumentar. Também elevam-se os riscos de extravios ou quebras de mercadorias durante manipulações ou trocas de locais. Tudo isso pode impactar no capital de giro da empresa, gerando custos extras.

Por outro lado, um bom giro de estoque combinado a uma administração adequada das saídas e entradas de materiais, reduz custos com essas perdas e com a manutenção das mercadorias. Ainda permite que a empresa conte sempre com produtos novos e modernos, o que é importante para conquistar consumidores.

Como melhorar e aumentar o giro de estoque na empresa?

1. Eleve a rotatividade dos produtos

É importante buscar formas de elevar a rotatividade dos produtos. Caso haja dificuldades nas vendas, faça promoções, liquidações ou conceda descontos mais vantajosos para trocar seu estoque por produtos atuais ou que tenham prazo de validade maior. É melhor reduzir os lucros do que ter prejuízos com itens que não serão vendidos depois de um longo tempo parado.

2. Estabeleça um nível mínimo de estoque

Quanto mais materiais no inventário, maiores os custos com transportes de materiais, manutenção ou até mesmo com locação de espaço para armazenamento. Também há um perigo elevado de perdas por meio de roubos ou sinistros (incêndios, alagamentos/inundações, tempestades que causem destelhamentos e danifiquem produtos etc.).

Com estoques menores, você poderá não só obter economia com o gerenciamento dos materiais, mas também na redução dos preços de seguros e na própria proteção das mercadorias. No entanto, é preciso pesquisar bem para não diminuir demais, pois poderá perder vendas devido à falta de produtos.

Para resolver isso, o ideal é estabelecer níveis mínimos de estoque para os seus itens.

3. Considere a sazonalidade em seu planejamento

É preciso ressaltar que, épocas de sazonalidade impactam nos giros de estoque, elevando ou diminuindo consideravelmente a rotatividade de mercadorias. Por isso, é interessante fazer não só cálculo anual do giro, mas também contas mensais, bimestrais e por estações. Quanto mais informações, mais chances de você estabelecer estratégias melhores de vendas.

4. Atente-se ao prazo de validade e obsolescência das mercadorias

Sempre coloque mercadorias com prazos de validade menores na frente das prateleiras, para que elas sejam as primeiras a sair. O mesmo vale para itens que se tornam obsoletos rapidamente, como produtos tecnológicos de rápida atualização (celulares e notebooks).

5. Utilize métricas, instrumentos e indicadores de performance

Para otimizar a gestão do inventário, lembre-se de adotar instrumentos e indicadores de performance que ajudem a mensurar aspectos diferentes do almoxarifado. Com o giro de estoque, eles podem contribuir com informações importantes para a tomada de decisão. Alguns exemplos são o ciclo econômico, o ciclo operacional e o ciclo financeiro.

Como visto, o giro de estoque é uma ferramenta importante para todo gestor ou empreendedor que deseja melhorar seu controle de custos relacionados ao estoque de produtos. Graças a esse instrumento, é possível ter uma noção melhor de como está o inventário da empresa e o que é necessário para a tomada de decisões mais sensatas e alinhadas com as condições do negócio.

Agora que você já sabe o que é e como fazer um bom giro de estoque, que tal descobrir como reduzir os custos administrativos do seu negócio?

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